HISTÓRIA

Conheça Nossa História

O Mulheres de Repente nasceu em 2018, no Festival de Inverno de Garanhuns, quando pela primeira vez a Mesa de Glosas passou a contar com quatro mulheres glosadoras, Dayane Rocha, Elenilda Amaral, Erivoneide Amaral e Francisca Araújo, reunidas em um mesmo palco. Aquele momento, que poderia ter sido apenas um acontecimento pontual, revelou algo maior: havia ali uma força que quebrava um ciclo histórico de invisibilidade feminina dentro de uma das tradições mais antigas e sofisticadas do Nordeste, a tradiçao do improviso. Ali, naquele FIG de 2018, percebemos que estávamos diante do início de um movimento.

A partir dessa constatação — e da emoção viva de ver mulheres ocupando, com firmeza e maestria, uma arte dominada por homens — surgiu o desejo de transformar aquele encontro em projeto, pesquisa, memória e continuidade. Assim nasceu o Mulheres de Repente, como um gesto de reconhecimento e como uma plataforma para que essas artistas pudessem se ver, se escutar, se fortalecer e ganhar o mundo.

Nos anos seguintes o projeto foi agraciado com a chegada de mais duas glosadoras que foram treinadas e formadas pelas veteranas do ofício. Daí por diante, o projeto se estruturou para dar visibilidade às únicas seis mulheres improvisadoras do Sertão do Pajeú — guardiãs de uma tradição que atravessa gerações. Construímos uma missão clara: honrar, registrar, valorizar e disseminar a arte, a voz e a presença feminina da Mesa de Glosas, garantindo que essa oralidade ancestral não apenas sobreviva, mas se renove a partir delas.

Desde então, seguimos uma trajetória que mistura estrada, criação, pesquisa, formação e encantamento. Com o Mulheres de Repente, realizamos apresentações em diferentes territórios: na Balada Literária, em São Paulo, numa mesa temática em homenagem à Cooperifa; em Brasília, no Palácio do Itamaraty, trazendo improviso para o seminário “Memória e Democracia”; em Buíque, na Mostra do Sesc, celebrando a mestra Mocinha de Passira; Também no Festival de Inverno do Sesc, na Flip Paraty, na Flup, no Rio de Janeiro; na Flipelô, na Bahia, além de rodas, encontros, escolas, outros festivais literários e celebrações culturais no próprio Sertão do Pajeú.

Nossa missão é também política e pedagógica: abrir caminhos para que meninas e mulheres sertanejas saibam que há lugar para elas na poesia improvisada; documentar e preservar o legado dessas artistas; formar público; e mostrar ao país que a glosa tem, sim, corpo e voz feminina pulsando dentro dela.

O Mulheres de Repente é, ao mesmo tempo, raiz e voo. É memória, futuro e reparação. Nasceu de um instante histórico — mulheres improvisando juntas — e se tornou movimento, território e afirmação coletiva.

Seguimos porque sabemos:
quando uma mulher improvisa, ela canta por todas as que vieram antes — e abre caminho para todas que virão depois.